Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, PINHEIROS, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Esportes
MSN - paulabianca@hotmail.com




Arquivos
 03/01/2010 a 09/01/2010
 23/03/2008 a 29/03/2008
 19/08/2007 a 25/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 24/12/2006 a 30/12/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 23/07/2006 a 29/07/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 16/04/2006 a 22/04/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 22/01/2006 a 28/01/2006
 01/01/2006 a 07/01/2006
 27/11/2005 a 03/12/2005
 30/10/2005 a 05/11/2005
 23/10/2005 a 29/10/2005
 18/09/2005 a 24/09/2005
 04/09/2005 a 10/09/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 24/07/2005 a 30/07/2005
 03/07/2005 a 09/07/2005
 12/06/2005 a 18/06/2005
 29/05/2005 a 04/06/2005
 15/05/2005 a 21/05/2005
 01/05/2005 a 07/05/2005
 17/04/2005 a 23/04/2005
 03/04/2005 a 09/04/2005
 27/03/2005 a 02/04/2005
 20/03/2005 a 26/03/2005
 13/03/2005 a 19/03/2005
 06/03/2005 a 12/03/2005
 27/02/2005 a 05/03/2005
 20/02/2005 a 26/02/2005
 06/02/2005 a 12/02/2005
 30/01/2005 a 05/02/2005
 23/01/2005 a 29/01/2005
 16/01/2005 a 22/01/2005
 09/01/2005 a 15/01/2005
 02/01/2005 a 08/01/2005
 26/12/2004 a 01/01/2005
 19/12/2004 a 25/12/2004
 12/12/2004 a 18/12/2004
 05/12/2004 a 11/12/2004

Outros links
 Meu Fotolog
 Post Scriptum
 Clube dos Cronistas Cotovelares
 electroJulia
 Oaristos
 Alixa
 Rani Baby
 Primeira Fila - Leo Nogueira





comme d´habitude
 


Mais uma vez, amor

 

São tentativas.

A gente sempre pensa que pode amar - e ama.

Vai assim, meio sem jeito, meio sem saber como é... mas, depois, nunca sabe se amou direito.

Vem o tempo, e a gente fica com aquele peso de coisa mal feita, feita pela metade. Coisa mal aproveitada.

Aquela sensação de "eu poderia ter feito melhor".

Será mesmo? 

Talvez os anos passem e você continue tentando amar sem se dar conta de nada disso. Acontece também.

 

E surgem novas tentativas.

Então, você resolve se jogar totalmente.

Não controla impulsos, não reprime gestos, não desvia olhares - e se sente ótima com isso tudo.

Ama loucamente, completamente, sem um pingo de razão. Sim, como se o mundo acabasse amanhã.

E, óbvio, é perfeito. 

Perfeito, até a hora que acaba - se é que esse tipo de coisa tem mesmo fim.

O fato é que, quando a gente ama, ou tenta amar, a gente não quer que acabe.

Porque, por mais que a gente esteja fazendo mil besteiras, a gente está lá, tentando. E a gente acredita que as tentativas sempre valem a pena.

Acabar ... pra quê?

Tá, é verdade que amar requer esforço físico, mental... sentimental.

Cansa. Mas a gente gosta.



Escrito por Paula Biza às 12h20
[] [envie esta mensagem
]





A VERDADEIRA

eu procuro não dizer - talvez porque seja a maior das verdades
dessas que, de tão sinceras, não se pode acreditar.

não quero causar espanto
nem pena, nem revolta
nem quero ouvir palpites
não adiantaria.

trata-se de uma verdade... simplesmente.

dessas que vêm da essência
dessas que estão na origem
na criação do tudo
no desfacelar do nada.

acontece que, ultimamente, essa verdade vem se mostrando freqüente
por mais que eu ria, que me sinta grata
por mais que ouça palavras amigas, melodias encantadas

não tem jeito
ela não some
não sara.

então, tento não chorar
e choro.
procuro não correr
e vôo.
procuro calar
e falo.

volto ao mesmo lugar...

aprendi a te encarar
verdadeira ou não
sei que te conheço
e não ligo quando você toma meu lugar.

assim tão fria
assim tão lenta
assim... melancolia. 



Escrito por Paula Biza às 01h33
[] [envie esta mensagem
]





JUST THE WAY I AM

Se eu soubesse que haveria o fim, teria eu amado tanto?

 

Plantar uma rosa significa querer rega-la para sempre?

Da flor, fica apenas a lembranca.

E do amor, o que resta?

 

Todo mundo diz o que devo e o que nao devo fazer.

Assim, sem saber o que ‘e pra ser, apenas permaneco.

 

Que destino ‘e esse que nao se decide?

Que historia ‘e essa que nao se resolve?

 

Eu realmente sinto falta de quem amo.

Sinto falta de quem me faz sorrir e de quem me faz chorar.

 

Mas, aqui, ‘e o comeco de um novo sentimento.

‘E a construcao de uma outra estrutura, que vem pra me fazer mais forte; mais solida.

...



Escrito por Paula Biza às 20h26
[] [envie esta mensagem
]





JUST THE WAY I AM

... 

Sinceramente, nao sei do que preciso.

Apenas sei que com voce eu ja nao era tao feliz.

 

Eu nao escolhi esse caminho...

Tudo foi chegando, chegando...

E eu apenas nao quis nada evitar.

 

Errei, acertei... nao sei ao certo.

Mas fiz o que achei que deveria ser feito.

 

Certamente machuquei e fui ferida.

Mas a dor passou, e agora eu sei...

A dor nao fica, se transforma.

E, com outra cara, nos faz melhores.

 

As escolhas nem sempre foram tao pensadas.

Isso porque os sentimentos nao precisam de razao.

 

Tudo o que me foi pedido vivi.

Vivi como quem segue as pistas de um coracao perdido.

 

Sinto-me tola por tudo o que escrevo.

Mas, tal como a vida, os versos nao querem parecer belos.

Eles querem, simplesmente, ser.

Escrito por Paula Biza às 20h25
[] [envie esta mensagem
]





I wish I was me

passar a vida tentando ser o que se fora

um dia, ou em pensamento.

nao reconhecer nem mesmo as proprias maos

os dedos dos pes

agora ja tao marcados pelas rugas que nunca falham.

permanecer calada

enquanto o peito grita e pede... algo que nao se sabe.

e o desconhecido continua a atormentar

silenciosamente.

a gente desconversa, ri e se faz feliz

embora nao saiba por que

em boa hora e sem nenhuma companhia.

os dias vem, os sonhos vao

e quanto mais me distancio do que sou

mais quero viver pra, entao, me recuperar.

 

[desculpem, mas nao encontro um teclado com acentos nessa terra]



Escrito por Paula Biza às 03h09
[] [envie esta mensagem
]





OLHAI PRO CÉU

E o que virá depois? – era tudo o que eu não queria me perguntar.

 

Mas o que me instigava era aquela luz, aquela forte luz que vi nascer. Tal qual uma estrela cadente, ela brilhou intensamente e, me pegando distraída, por pouco não se foi sem que eu notasse. Felizmente, tive a sorte de, naquele exato instante, estar olhando em sua direção.

 

Vi-a ascender, criar força, irradiar seu brilho no ar e, abruptamente, desaparecer. Ainda lembro que, ao atingir o auge, senti toda a sua intensidade e imaginei jamais me distanciar daquele momento. Acontece que outras luzes se acenderam, veio o Sol e, quando olhei ao redor, já não havia estrela alguma. Mal pude ver seu rastro fulgaz...

 

Estrela. Tão pequena, mas que marcou pra sempre a minha memória.

Estrela que eu não escolhi.

Estrela que surgiu tão simples e permaneceu comigo, tão imensa.

 

Nalgum céu ela ainda há de brilhar. E lá eu também estarei – eu sei. Porque estrelas sempre carregam em si o passado, o presente e o futuro.

 

Estrelas é que sabem viver.



Escrito por Paula Biza às 14h39
[] [envie esta mensagem
]





PAIXÕES INACABADAS

Ela já não lembrava como era a sensação de ser surpreendida por um telefonema. Tinha tentado esquecer essa possibilidade – por pouco não apagara aquele número de sua agenda. Era apenas um final-de-semana de verão, de um calor intenso, úmido, e que a deixava desanimada e sonolenta. Não existiam expectativas.

Ela não fazia idéia, mas eram sete e meia da noite. O dia ainda estava claro, o calor ainda era intenso, mas ela estava enroscada em uma manta de algodão, entre almofadas e um travesseiro. Ela não queria acordar, embora apenas cochilasse. Por sorte, era um cochilo pesado, que mais parecia com um sono profundo. Existiam imagens em sua cabeça, que se assemelhavam com seus sonhos.

Foi quando o telefone tocou. Incomodada com um som estridente, ela demorou a perceber que algo esperneava em seu criado-mudo.

- Lívia?

- Sim… ?

- Oi, tudo bem? É o Pablo.

- Oi… tudo bem, e você?

- Tudo tranqüilo. Tava dormindo?

- Não, não… apenas descansando.

- Ah… quanto tempo, hein?

- Pois é, você some.

- Ah, esses últimos meses foram cheios.

- Eu imagino…

- Mas e você? O que me conta?

- Uhm, tudo certo… nada de muito novo.

- Aproveitando a casa nova?

- Ah, sim. Estou adorando. E você, novidades?

- … Comprei o sofá!

- Maravilha!

- Você não vai vir conhecer?

- Um dia, quem sabe.

- Hoje!

- Não sei…

- …

- Bom, só se for bem rapidinho…

- … Tá!

- Que horas?

- Agora.

- Uhm… tá bom. Só preciso tomar um banho.

- Tá bom. Te espero.

- …

- Beijo!

- Outro!

Em um pulo, levantou-se da cama. Apressou-se em tomar banho e, enquanto se ensaboava, já ia idealizando a melhor roupa para o encontro. Primeiro, imaginou algo sexy, como uma mini-saia jeans, salto fino, uma blusa mais decotada. Mas não, não poderia dar a entender que estava ali querendo arrebatá-lo de uma só vez ou simplesmente querendo levá-lo para cama. Era preciso fingir que aquela seria uma visita qualquer, despretensiosa; um encontro de antigos amigos. Para tal, era necessário vestir-se com um certo comedimento, com um ar um pouco despojado até. Escolheu um vestido simples, nem curto nem cumprido, de uma cor neutra, mas de estampa moderna.

Adornou o colo com um colar de pedras brancas, colocou dois anéis no mesmo dedo; manteve os brincos de strass que não tirava nunca. Ao invés de salto fino, preferiu uma sandália mais baixa, porém não menos charmosa. Antes de vestir-se, passou o creme hidratante de todo dia em todo o corpo. Secou apenas a franja, para manter o ar natural dos cabelos. Passou um pouco de pó no rosto, mas o efeito do calor em sua pele era muito mais eficaz: seus poros não paravam de expelir suor, deixando a pele brilhante de qualquer maneira.

Chamou o táxi. Chegou em seu endereço em menos de 15 minutos. Eram oito e cinqüenta e sete, e ela já estava na portaria do prédio. Ao invés de falar com o porteiro, telefonou em seu celular.

- Alô.

- Pede para o porteiro abrir?

- Já chegou?

- Sim.

- Ele já tá abrindo.

- Tá bom.

Ao descer do elevador, deu de cara com Pablo, que a aguardava à porta de seu apartamento. Ele sorria. E foi aí que ela se deu conta que sentia mesmo saudades até daqueles dentes. Ah, como eram brancos e pontudos... Ah, como ela gostava daquele sorriso…



Escrito por Paula Biza às 16h56
[] [envie esta mensagem
]





QUANDO VISITEI SUA CASA

Já não me lembro o motivo, mas sei que entrei em seu apartamento. Era bem mais amplo do que aquele que eu costumava freqüentar quando tínhamos vinte e poucos anos. Sabe como é... o primeiro apartamento é sempre muito modesto.

Ao entrar, fiquei impressionada com o número de cômodos. Mas, aos poucos, fui percebendo que a desordem era a de sempre e que isso deixava aquele lugar quase do mesmo tamanho do antigo quarto-e-sala. Com alguns passos, pude observar quatro ou cinco cômodos. O primeiro foi a sala de TV. Era quadrada, com sofás de couro marrom escuro igualmente quadrados, cortinas escuras, e uma TV dessas grandonas, ligada em um canal desinteressante.

Em seguida, passei por uma saleta, onde havia uma mesa cheia de tralhas inidentificáveis. Algumas malas ou mochilas também adornavam a desordem do chão. Esticando um pouco mais o pescoço, avistei um dormitório, com uma cama de solteiro completamente revirada: cobertor de um lado, travesseiro do outro, lençol retorcido. Apesar da bagunça aparente, tive a sensação de aconchego. Acho que eles costumam dormir juntos ali - pensei.

Estranhei o fato de haver um segundo quarto com uma cama de casal tão aparentemente intocada. Dali de dentro, vinha uma luz levemente amarelada, que deixava a colcha verde-azulada sobre a cama ainda mais bonita. Nesse momento, tive vontade de perguntar “quem dorme nesse quarto?”, mas pensei que seria bem inoportuno. Além do quê, eu estava muda desde minha chegada. Seria bem estranho querer falar justo sobre o quarto (que ao menos deveria ser) do casal.

O terceiro parecia um quarto de adolescente. Muitos objetos pelas estantes, o aparelho de som, e um longo barbante que ziguezaveava pelo teto, segurando dezenas de envelopes coloridos. Achei curioso, e me aproximei para tentar compreender do que se tratava. Foi um misto de surpresa e não sei quê. Em quase todos aqueles papéis estava escrito “Paulinha”, como se eu fosse a remetente das cartas. Observando mais de perto, pude reconhecer alguns deles. Haviam sido realmente enviados por mim. Um postal de Goiás, um outro cartão
dizendo “saudades”... Não, eu não compreendia.

Ao me virar, dei de cara com ela. Usava uma blusinha vermelha desbotada e tinha cara de sono. Ao perceber que eu andava por ali, sequer mudou sua feição. Continuou zanzando pela casa, como quem procura a coleira do cachorro. Ao me dar as costas, continuei a observá-la. Tinha os cabelos pretos, lisos, compridos e ralos. Não era bonita. Era exageradamente magra. E usava um shortinho exageradamente curto, desses que só as magérrimas conseguem usar sem erotizar o visual.

Foi quando ele apareceu, enfim, na minha frente. Era o mesmo menino de 10 anos atrás. Idêntico. Nem uma ruguinha no rosto pra afirmar que o tempo tinha passado. Nada. Usava a mesma Hering branca. E quando digo a mesma é porque devia ser a mesma mesmo.

Ele sorriu. Sorri também. Ele não disse nada – acho que sabia que não era necessário. A casa dizia por ele. E o que ela dizia era algo que me deixava com boas sensações – embora mantivesse aquele mundo incompreensível para mim.



Escrito por Paula Biza às 13h53
[] [envie esta mensagem
]





A TAL CONVERSA DEFINITIVA

Quatro anos e quatro meses. O tempo exato que aquela história durava. Mas por não ser algo constante, a verdade é que era muito menos que isso. Talvez chegasse a um mês. Um mês intenso. Depois desse tempo todo, veio a conversa; aquela que deveria ser definitiva.

- E aí? Como ‘cê tá?

- Tô bem. Na correria, pra variar, mas bem.

- Legal.

- E você?

- Bem também. Tô pirando com alguns projetos novos que surgiram, estudando bastante... Mas assim que é bom.

- É verdade.

- Mas e aí? Bebe alguma coisa?

- Eu? ... Ahn...

- Deixa eu ver algo pra gente...

Talvez fosse melhor mesmo ter aquela conversa com algum teor etílico na cabeça – pensou ela.

- Salinas. Acho que a gente já bebeu uma outra vez aqui em casa, não foi?

- Foi... lembro bem.

- Maravilha!

- Mas então... você sabe bem por que eu vim aqui hoje... né?

- Sei... sei sim. Pode falar.

- Olha... é bem complicado pra mim... Há muito tempo que eu queria te falar... E eu nunca soube por que esperei tanto...

- Eu acho que sei por quê.

- Ah sabe?

- Eu já te disse isso... Você sabe que é assim...

- Ah, os ciclos...

- É.

- Mas eu não gosto deles. Não adianta. Não me fazem bem.

- ...

- Não é da minha natureza.

- Eu entendo...

- Mas é da sua...

- Quem disse que é?

- Ninguém disse... Mas é o que você demonstra.

- Você sempre demonstrou assim também.

- Mas eu não estava sendo eu.

- Ué... Por quê?

- Eu tava apenas querendo te acompanhar... Pra não te perder de vez.

- Me perder?

- Achava que se eu fosse eu mesma você não iria gostar. E fugiria pra sempre.

- Eu não fujo de você.

- Mas também não me procura.

- Eu não procuro ninguém... Você sabe.

- Mas é disso que eu não gosto... Essa espera.

- ...

- Por que a gente não pode ser mais constante?

- ...

- Eu não tô falando de namoro, de compromisso... De nada disso. Eu só quero mais convivência, entende?

- Eu sou um cara difícil de conviver.

- É isso o que eu quero descobrir. Eu não quero mais fantasiar que você é assim ou assado... Eu quero vivenciar isso tudo.

- Você se decepcionaria...

- É disso que eu preciso! Não posso mais viver idealizando você...

- Talvez seja a melhor coisa.

- ...

- Eu perderia o encanto pra você...

- Como você pode ter tanta certeza?

- É o que acontece com todo mundo.

- Pelo menos esse todo mundo vive.

- Você vive também... a gente vive. Mas só vive o que é realmente bom.

- Eu sei... É maravilhoso... Mas... E depois?

- Não pensa no depois.

- Mas ele existe! ... Ele vem!

- Esquece isso...

- Não dá... Dói demais em mim!

- O que você quer, então?

- Já te disse...

- ...

- Quero partilhar mais... Por que tem que ser tão difícil?

- Porque não é pra ser assim...

- ...

- Não vamos estragar tudo...

- É horrível ficar sem saber quando será a próxima vez.

- Por isso que é tão bom.

- Você é demais, sabia?

- ...

- É isso, então.

- Já vai?

- ...

- Você mal bebeu sua pinga.

- Deixa pra próxima vez.

 

Ela deixou o apartamento, certa de que não haveria próxima vez.

 

 

 

[Texto originalmente publicado no site Cronistas Cotovelares, onde foi incluída a seguinte nota de rodapé: “Paula Bianca é infamemente bem humorada.”] 

 



Escrito por Paula Biza às 08h55
[] [envie esta mensagem
]





COISAS QUE ACONTECEM

Depois de ganhar, o perder já não importa. Porque depois de ganhar a gente quer ganhar mais uma vez, mas quer ganhar o jamais ganho. É estimulante manter o desejo não realizado – muito mais do que desejar o que está ali, nas suas mãos. É nítido o desinteresse de quem conquista o conquistado. Mas, como não poderia deixar de ser, ninguém diz.

 

Existem sim aqueles que cultivam, alimentam. Mas isso não significa apenas fazer o bem. E o bem, ah o bem..., esse pode ter muitas caras. Porque tem o meu bem, o seu, o dele, o delas. E, sinceramente, eles são sim completamente distintos. Posso até dizer que o meu bem também é o seu; mas, não vire as costas. É o suficiente para o meu bem se transformar, ou melhor, revelar a outra face desse mesmo bem que estava oculta.

 

Ah, como é dura a vida do ser sensível. Um mínimo entortar da trilha já entrega tudo. Um sutil gesto corporal que revela um infinito de intenções e desejos. Ah, os desejos... Meu bem nunca perde a chance de vê-los realizados. E realiza. Não se esconde nem se mostra; apenas deixa acontecer. E não quer perguntas. Afinal, as respostas ferem. E ninguém precisa se ferir pra entender que todo bem tem fim.

 

É uma pena que nem todo o bem queira sempre a mesma coisa. E, nesse ponto, tocamos no tema mais fundamental: a coisa. Tudo começa e termina nela – até mesmo o nosso bem. Porque se antes era uma coisa, depois se transforma em outra – mas não deixa de ser coisa. E claro que ninguém tem a obrigação de entender. Mesmo porque, tanto pode ser uma coisa qualquer quanto uma coisa de real valor. De todo modo, é coisa.

 

Mas eu, definitivamente, queria entender como essa coisa começa. Porque “por quê” eu já desisti mesmo de saber. Parece uma coisa sem explicação, que não nasceu pra ser compreendida e tal. Mas, céus, por que então que existe tanta gente atrás de alguma teoria, prova, cálculo, método ou o raio que seja, mas que possa enfim determinar objetivamente essa coisa toda?

 

Eu tenho aqui a minha tese e prometo não me alongar ainda mais. Bom, primeiro a coisa tá dentro de você, quietinha (mas esperando ansiosamente por alguma outra coisa) – viu? começa aqui... Aí, tá tudo muito bem quando, de repente, um outro alguém (que também anda pra lá e pra cá com uma coisa guardada, quietinha, porém imprevisível) aparece. É nessa hora, exatamente aí, que deve acontecer alguma “coisa”. Porque, sem isso, fica tudo na mesma. E eis que acontece. Pronto! O que era uma coisa imperceptível (por isso todo mundo achava que nem existia) vira uma coisa louca, que vem do nada, te faz sentir louca, desvairada, sem nenhuma noção da vida... e tá feito.

 

Enfim, depois disso, a coisa fica lá, flanando por aqui e ali, sem hora pra partir. E a gente passa a chamar essa coisa de tudo quanto é nome e dá infinitas definições (todas imprecisas, evidentemente). Uns acham que é o tal do bem. Ok, pode até ser. Mas, nesse caso, a coisa é individual. Porque antes de ter outros nomes, a coisa é uma só – embora seja formada por coisas provenientes de seres e/ou pessoas distintas.

 

Tá. Esse texto se transformou numa coisa sem pé nem cabeça. Mas, vale dizer: na primeira linha, ele era uma coisa – um bem, um mal, enfim, depende de quem conta o conto. Agora, depois de ter se misturado a inúmeras outras coisas, passou a ser uma coisa completamente diferente – exatamente como acabei de explicar.

 

É, realmente... quem é que entende essa coisa toda?



Escrito por Paula Biza às 01h26
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]