MORTE E VIDA
Eu não queria que fosse como a morte, mas se faz necessário. Só a morte nos traz certezas; só ela provoca verdadeiras revoluções; só ela revela o verdadeiro amor que estava adormecido. E, tal qual a morte, a separação foi cruel. Me deixou desesperada, e me fez soluçar, e perder a voz, e me acabar em lágrimas. Mas, creio e repito, foi necessário.
Se a vida seguisse, se nada fosse dito nem lamentado, eu certamente continuaria descontente. Cheguei a pensar que esse era o natural. “Quem disse que devemos ser felizes?”
Não. Não devemos nos contentar com a tristeza. É preciso ir atrás da felicidade, sempre. Talvez, justamente por ser o desejo mais ilusório que possamos ter, a própria vida nos imponha essa incessante busca. E, independentemente das teorias contrárias, vou continuar nessa procura; não quero parar jamais.
Claro que, infinitas vezes, dei de cara com ela. Mas, com tanta insegurança e frustração, não sobrava mais espaço pra tal felicidade entrar. Cheguei a pensar estar querendo demais; exigindo demais; insatisfeita demais.
Não. Mais tarde, veio a confirmação: muito antes de eu falar sobre a minha insatisfação, ele já estava infeliz – e não sabia. Estagnado, não queria mais nada. Nem mesmo a minha companhia, que outrora o faria ganhar o dia, lhe arrancava do lugar. Ele tinha parado. Não queria, não precisava de mais nada.
Sinceramente, não consigo compreender de onde veio tudo isso. Mas, cansei de encontrar explicações. A verdade é que a vida é mesmo essa coisa cheia de mistérios e perguntas sem respostas; respostas sem perguntas. Por isso, não quero mais questionar. Vou fazer apenas o que faço agora: descrever minha experiência. Expor a minha angústia. Contudo, sem jamais exigir explicações.
Não estou aqui pra entender tudo.
Quero é viver tudo o que eu sentir que vale a pena ser vivido.
Escrito por Paula Biza às 23h43
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