PORQUE ELE ACHA QUE TEM JOANETE TAMBÉM
Depois que revelei um detalhe corporal de relevância zero em uma rede de amigos, conhecidos e pessoas que nunca vi na vida, passei a receber as mais variadas declarações a respeito.
Nessa segunda, logo pela manhã, me deparei com uma simples frase de cinco palavras na minha caixa postal. Fiquei impressionada com a capacidade de provocar riso de certas pessoas...
Pois é, joanete pode ser uma coisa incerta na vida de muita gente. Eu, por exemplo, não tinha idéia do que era um joanete - e muito menos passava pela minha cabeça que EU poderia possuir um desses - neste caso, dois, pra ser exata.
O fato é que lá pelos meus 17 ou 18 anos, um amigo do meu irmão soltou o comentário no meio de uma festa de aniversário, lá em casa. "Belo joanete!", exclamou sorridente, observando meu pé esquerdo, completamente à mostra, a bordo de uma Havaiana. A partir desse anúncio irônico (a ironia estava mais na cara dele do que nas palavras, vale dizer), passei a refletir sobre essa minha singularidade anatômica. A princípio, não gostei nem um pouco dessa constatação. Sentia-me um alguém com “defeito de fabricação”. Coisas da adolescência...
Mas, por sorte, algum tempo depois, ouvi, vi ou li nalgum desses veículos super informativos que a Claudia Raia tinha joanete. Alguém afirmou que era “coisa de bailarina” – justificativa da qual me apropriei sem pudor.
Pôxa, ter joanete não era tão mau assim!
Ao longo desses anos, fui descobrindo ao acaso que outras tantas figuras públicas desfilavam por aí com joanetes ainda mais perceptíveis que os meus – sem que fossem alvo de chacotas ou estranhamentos demasiados. Fiquei tranqüila. Afinal, se existiam tantos joanetes praticamente anônimos nos pés de tantas famosas, quem haveria de se importar com os meus, habitantes de pés tão tão reservados?
Aprendi a conviver harmonicamente com eles. Só devo ter o cuidado de não pisar errado, por conta de sapatos extremamente desconfortáveis. Saltos agulha nem pensar. Sandálias rasteiras também podem provocar dor - mas não é sempre. Nada que uma boa massagem ou um balde de água quente não resolva.
Bom mesmo é andar descalça; na areia, na grama ou em tapete macio. Conforto, sossego, sensações prazerosas. É isso que ele quer.
Eu e meu joanete temos mesmo muito em comum.
Escrito por Paula Biza às 11h24
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