Durante esse tempo todo, foi mais fácil não dizer. Mantê-lo cruelmente ao meu lado, alimentando assim um sentimento que, para mim, já não existia. Durante esse tempo todo, eu fiz exatamente o que sempre abominei. Acontece que eu não sentira na pele o que é ser amado por alguém. E, por isso, não compreendia a dificuldade que as pessoas tinham em dizer adeus. Todos querem ser amados. Mas nem todos estão preparados para amar.
Eu mesma... onde anda o meu amor? Essa é a minha maior angústia. O que só me leva a um estado psíquico repetitivo e vicioso: a paixão. É como se eu não pudesse viver sem ela e, dessa maneira, acabasse me apaixonando a todo momento. Não que eu veja um grande problema em viver apaixonada, mas acontece que não há constância. Talvez porque não haja também alguma crença real nessas paixões. O que me leva a não ter perseverança e, por isso, encontrar uma nova paixão a cada novo olhar.
De certa maneira, sou grata por essa angústia que me acomete a todo momento. Sei que, sem ela, não haveria sublimação; não haveria inspiração; não haveria o questionar. E, sei, eu preciso e gosto disso tudo. Sou grata porque sei que foi a partir da angústia que evoluí, me desenvolvi de muitas formas e, por fim, aprendi o que é e como é o funcionamento dessa coisa chamada sentimento. Que, evidentemente, não se trata de sentir exclusivamente. É sentir-querer, é sentir-pensar, é sentir-não pensar, é sentir-ser, é sentir-sofrer.
Sei que é possível, mas não pretendo racionalizar os fatos. Eles perderiam sua graça, eu teria que fincar os pés no chão amargamente. Prefiro idealizar um pouco mais. É na fantasia que mora o sonho e, creio, é no sonho que mora a realidade. Não vou deixar de valorizar o que sinto. Mesmo que não seja tão bom pra mim. Mesmo que não seja tão bom pra quem comigo estiver. Se eu conheço outros tipos de amor, eu vou acreditar neles. Mesmo que você, ele ou todos os outros nele não acreditem. Amar não é fazer tudo igual, tão pouco querer a mesma coisa. Eu te amo, acredite. Embora isso não signifique ficar com você.