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comme d´habitude
 


A EMOÇÃO DE ESTAR NO PALCO

Devia ser algo perto de 11h da manhã. Eu estava naquela sala atrás do palco – que mais tarde eu descobriria ser denominada coxia -, aguardando o momento de entrar em cena. Não era a primeira vez que eu me apresentava, mas, como sempre acontecia, sentia um misto de nervosismo e apreensão, que deixava minhas pernas tremendo incontrolavelmente. Também era comum sentir vontade de fazer xixi, mas felizmente isso eu conseguia controlar.

 

Tínhamos ensaiado dezenas de vezes até aquele momento. Eu sabia bem o que era pra ser feito quando estivesse lá na frente. Ainda assim, tinha medo que me desse um branco. Não só para mim, como para a turma toda, esse seria um grande problema. Afinal, eu estava na primeira fileira e, além de ser mais vista que os outros, eu também servia como guia do restante do grupo. Decididamente, eu não poderia errar de jeito nenhum.

 

A apresentação estava atrasada. Não sei bem por quê, mas ela nunca começava no horário estabelecido. Dentro de um colan verde-bandeira, eu sentia minha cabeça doer como nunca. Era aquele bendito coque, que esticava meus cabelos ao extremo, deixando minha testa completamente à mostra – o que eu odiava. Achava o cúmulo eu não poder permanecer de franja. Pra quê tantos grampos num único birote? Não foi à toa que desisti do balé.

 

Quando eu estava à ponto de desfazer aquele dolorido penteado, a “prô” Sônia acenou pela porta, indicando que era nossa vez de entrar. Meio andando, meio correndo, meio pulando, nos posicionamos no palco e aguardamos a abertura das cortinas. Quando o pano foi arrastado para as laterais, tive o impulso de olhar para a platéia para saber se minha mãe estava lá. Mas não. Permaneci olhando para o chão. A música começou, a dança começou e, paulatinamente, todo o nervosismo foi dando lugar à satisfação.

 

Em poucos minutos, todos ali diante de mim estavam nos aplaudindo. Sobre o palco, eu sorria orgulhosa, mas angustiada por não encontrar dentre os presentes o alvo de todo aquele meu trabalho. Ela deve estar escondida – pensava eu, num gesto de auto-consolação. De mãos dadas com as outras crianças, fiz a reverência de agradecimento e voltei à coxia. Queria chorar, mas, mais uma vez, me segurei. Eu tinha apenas sete anos.



Escrito por Paula Biza às 01h50
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