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comme d´habitude
 


ESCREVER PARA NÃO SILENCIAR

Trechos de diferentes histórias reúnem-se para compor uma vida. No caso, a minha vida. São como esquetes distintas e aparentemente sem relação que, em conjunto, compõem uma das mais atribuladas e proveitosas fases da minha trajetória. De algumas semanas para cá, um turbilhão de transformações resolveu se instalar na minha rotina. E a minha lucidez diante do mundo só tem a agradecer por sua expansão. Não há nada de novo. Apenas revelaram-se faces que antes estavam escondidas. Mas, claro, ainda há muito a se descobrir. Vamos às cenas.



Escrito por Paula Biza às 20h53
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CENA 1 – Eu, eu mesma e todas as outras pessoas do meu mundo.

 

- Bom dia!

- Infelizmente, o dia já começou.

- Ué? Não era isso que você queria?

- Poderia ser diferente.

- Ah, claro, você nunca está satisfeita.

- Você pode parar de me encher??

- Nossa! Eu só queria desejar bom dia...

- Tá, mas com você do meu lado vai ser impossível.

- Grossa!

- Aff... Bom dia, inferno!



Escrito por Paula Biza às 20h53
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CENA 2 – Péssimo, mas em boa hora.

 

- Eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer.

- Sabe, eu acho é muito bom. Chega desse teatro de fantoches!

- Estou mais aliviada depois dessa nossa conversa. Estava muito difícil conviver com sua cara-de-pau.

- É... Só que ninguém garante que algo vá mudar efetivamente.

- Não interessa. O importante é que, agora, todos estão cientes das suas culpas. Esse é o primeiro passo para a transformação.

- Tomara!



Escrito por Paula Biza às 20h53
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CENA 3 – Em êxtase, apenas com cerveja.

 

- Ah, eu nem acredito que estamos aqui.

- Meu... acabou!!! Acabou!!!

- Eu tô de um jeito que... eu não quero mais nada! O mundo pode acabar agora!

- Plenitude, minha amiga... né, não?!!

- Não... acho que são os hormônios mesmo... Sabe TPM??

- Puts... sério?? ... Eu achei que você estivesse bêbada.

- Bêbada?? Tá louca... Esse é o meu segundo copo.

- Bebe mais, então!

- Meu... não é isso... Eu preciso de outra coisa...

- Do quê??

- Tá vendo aquele cara de verde ali?? ...



Escrito por Paula Biza às 20h53
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CENA 4 – Porque bar rima com lar.

 

- A gente fica no bar ... e não quer mais sair.

- Porque sabe que lá fora a realidade é outra...

- Não tem cerveja no escritório.

- Larga de besteira! Tô falando dessa conversa solta, dos olhares interessantes, interessados...

- Acho que a gente não quer sair justamente porque sabe que tem uma hora que a gente precisa sair.

- Daí a gente fica assim, fingindo que não tem a menor necessidade de ir embora.

- Fingir é uma necessidade.

- Xiiii...



Escrito por Paula Biza às 20h52
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CENA 5 – Felicidade permitida

 

- Foi numa estrada.

- Juuura? Me conta melhor essa história!

- Ah, você sabe, eu não acreditava mais no amor...

- Mas... como você conheceu ele?

- Eu tava dirigindo, sozinha, com o carro cheio de tranqueira...

- Onde cê tava indo?

- Era aniversário do meu pai.

- Ah...

- Olhei aquele puta carrão, e pensei: “tcha-au...”

- Básico.

- Daí ele passou, diminuiu a velocidade; eu passei de novo, olhei... e a gente foi brincando.

- Só você mesmo, Rê... !!!

- Daí a gente parou, peguei o telefone dele, e liguei exatamente uma semana depois.

- Nossa, Rê! To muito feliz por você!

- Obrigada, amiga! Eu também tô muuuuito feliz!

- Boa viagem! E vê se manda notícias da França!



Escrito por Paula Biza às 20h52
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