O SONHO, A ESPERA E (MAIS UMA VEZ) A ESCOLHA
Acordei pensando: o que será que os sonhos são? Códigos decifráveis que narram nossos desejos? Delírios puros e simples, que pouco têm a ver com o nosso destino? Ou a revelação das grandes verdades do nosso ser?? ... Não é a primeira vez que me pego pensando sobre isso.
Acontece que, mais uma vez, tive sonhos muito reais. Nessa noite, foram dois (que eu me lembre). Um bom, muito bom, que, pela segunda vez na semana, me levou pra perto de uma amiga pra lá de querida, que não vejo há mais de 10 anos. Acontece que, graças ao mundo virtual, nos reencontramos e, há algumas semanas, passamos a trocar e-mails. Ando ansiosa além da conta porque, daqui 7 dias, ela virá pra São Paulo para comemorar meu aniversário comigo! Eu realmente não vejo a hora!
Mas... vamos ao sonho. Dentes. Sorriso. Seu nariz. Sua pele branca, branca. Seu cabelo amarelo, liso, liso. É engraçado como essas imagens ficaram na minha cabeça. Nossas fofoquinhas de criança, nossas risadas sem mais nem menos, nossos segredos.
Como nunca fizemos na vida real, estávamos em uma viagem; talvez na praia, acho. Dividíamos uma mesma alegria. Nos sentíamos acolhidas, protegidas, tranqüilas, felizes. Seu sorriso realmente nunca saiu da minha memória. Aliás, o nosso sorriso. É, éramos duas, mas ... eu sentia a gente tão juntas, tão iguais, tão inteiras em tudo o que fazíamos... Que parecia mesmo que éramos uma só.
No sonho, nós contávamos para alguém como é que tínhamos nos conhecido. E, vale a pena dizer, começamos tudo com o nariz torcido uma para a outra. Por besteira, claro. Mas em questão de minutos (ou teriam sido segundos?), estávamos nos adorando. Incrível.
A partir dessa lembrança, comecei a divagar sobre os momentos magníficos que nos trazem pessoas inesquecíveis e relações fantásticas como essa. Será mesmo um ciclo? Será mesmo o cosmo? Ou será simplesmente o acaso? a sorte? Penso que tais situações acontecem de tempos em tempos. Talvez num período de 10 e 10 anos. Ou 7 em 7. É, algo me diz que é assim sim.
Tá, mas aí veio o segundo sonho. Era também com uma pessoa muito querida, com quem me relaciono há alguns anos, mas cujo relacionamento sempre foi cheio de altos e baixos. Carinho e afeição temos de sobra, mas ... sempre parece que estamos vivendo em dois mundos distintos – o que, no nosso caso, nem sempre é bom.
Estávamos em uma festa em sua casa (que obviamente não correspondia à sua casa do mundo real – lembre-se: era um sonho!). Família e amigos dele, todos presentes e felizes (e, alguns, bêbados; normal). E, por alguma razão, eu me sentia um peixe fora d´água. Olhava ao meu redor, e não me sentia parte daquela alegria. Eu não compartilhava nada; com ninguém. Mesmo quando era para compartilhar preocupação e dor. Não, eu simplesmente não fazia parte daquilo tudo. Eu estava fora. E ninguém, nem mesmo ele (é, revelei que é homem), estava preocupado com isso. Não sentiam minha falta. Não percebiam a minha ausência naquilo tudo.
Daí eu fiquei triste. Não com ele, ou com qualquer outra pessoa. Acho que era uma tristeza comigo mesma, por ter passado tanto tempo me enganando. Fingindo ser parte de algo que, de verdade, eu nunca quis pra mim. Não dessa forma. Não com aquelas pessoas. É, eu não escolhi nada daquilo – eu acho. Daí me enfiei num cômodo da casa, sozinha, pra ficar sentindo aquela dor. E senti. Por que eu me machucava tanto? Por que eu escolhia isso? ... Acordei sem respostas; porque já não me lembrava das perguntas.
Eu queria escolher mais. Parar de ser escolhida, sem deixar o acaso decidir.
Escrito por Paula Biza às 10h53
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