A ESCOLHA DO AGORA
Decidi escrever assim, sem ensaiar, sem imaginar o tema. Porque, hoje, eu sou só um assunto, apenas um sentir. Um único e raro sentir. Assim como disse a ele, assim como ele replicou, um pouco mais tarde.
Porque somos corpos, somos pele ... sem por quê, somos. E não existe música que seja nossa, não existe um canto. Embora eu procure, eu sei, ele me diz: não tentemos explicar. Não gastemos nossa energia com isso. Não racionalizemos o que nos transforma em luz. Apenas ... deixemos ser. Sem interromper o fluxo, sem desviar a intenção, sem ferir o desejo. Assim, exatamente como sempre fizemos.
E eu lhe disse, pouco depois de recordar o sabor daquele beijo: é algo meu pra você, apenas seu. Como se fosse impossível ser de outro alguém... e, creio, é. Claro que me angustia, embora não deva. Minha natureza, controladora e possessiva, quer me levar pra outro rumo. Mas meu desejo, tão puro, tão denso, faz com que eu fique, e siga, e ria, e cale, e respire apenas o ar que vibra ao redor dele.
Só mesmo se eu fosse poeta... Só mesmo se eu fosse uma artista... Só mesmo se tudo fosse registrado em boa máquina, para que soubessem como é. (...) Besteira! Ninguém jamais saberia. Ninguém saberá. É um estado de felicidade, de profundo prazer, o qual eu não sei recusar; e nem quero. Se ele é um amante profissional, não há nada além a ser feito. Se esse é seu jeito de amar, assim eu também farei.
Ele me ensinou que não existe depois. Não foi fácil aprender... ainda sofro por isso, é verdade. Mas, talvez, assim seja mesmo a vida. É a celebração do agora, é a entrega ao momento, é o dar-se por inteiro a um único instante. É assim que somos felizes. É assim que construímos nossa história. É assim que seguimos. E é assim também que, um dia, quando chegar a dor maior, partiremos definitivamente. Apenas para que não exista mais nem o agora, nem o além.
Escrito por Paula Biza às 14h17
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SEM RIMA, SEM RUMO, INTENSAMENTE, ASSIM MESMO.
Já não tenho o mesmo tempo
E, bom, nem a mesma pressa.
Voltei ao meu velho ritmo
Piso leve, sempre que posso.
Arrisco a sorte, sempre que peco.
O corpo reclama um pouco
O sono derruba um tanto.
Antes assim, diria ela.
Não poder contar com o todo
Deixa tudo triste, e como.
A felicidade voltou pra casa
A casa de todos nós.
Quem viu e quem não viu sorriu
Juntos, de novo, estamos
Vencemos esse mundo vil.
Se você espera aqui um poema
É melhor ser paciente.
Disse tu, disse ela, dissemos nós.
Assim também devo ser
Mas talvez não valha a pena.
Fui pega de surpresa
Era tarde pra quem vai cedo.
Fiquei nervosa, mal escutei sua voz
Mais uma vez, a mesma história
Espero, agora, um outro final.
Menina, amanhã de manhã
Quando o dia abrir meus olhos
Quero ver senão a sua rua
E entrar pela sua porta
Pra viver pela sua sala.
Sem jogar, eu vou
Sem escutar conselhos.
Sou apenas o que está em mim
Exatamente como você gosta.
Perfeitamente como a gente sente.
Escrito por Paula Biza às 00h49
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