O SONHO, O SOL E A LUA
Como se fosse tarde, eu desisto do sonho. Porque dormir é sempre pouco, quando o dia nos parece curto. O fato é que os sonhos sempre nos revelam as saídas, por mais que não acreditemos que assim seja. Esclarecedores, devo dizer, foram meus últimos devaneios oníricos. Mostraram que eu tenho medo ainda - o que faltava para que eu criasse coragem.
Foi um telefonema tolo, é verdade. Deve ter soado como falta de assunto, como carência afetiva, ou o que for. Talvez ele não saiba, mas a certeza que agora funde-se ao meu sentimento soube traduzir o que antes era apenas saudade e dor. Eu me apaixonei, embora não entendesse como tal. Há quem diga que eu me apaixono toda hora, eu sei. Mas não com essa intensidade; nunca assim, tão cheia de afeto e desejo.
Besteira seria agora contar como e onde tudo começou. Os fatos já não me interessam mais. Apenas quero dar voz à canção sem som que agita o meu corpo e a minha alma. Não quero compreender; não quero compreensão. Deixe que eu viva, apenas, e isso será tudo.
Inesperada, é o que lhe sou. E serei sempre, se assim quiser. Não como um trovão que perturba o ar. Mas como um raio de sol que alcança seu corpo, tão quieto num canto qualquer.
Ou como a lua que admirei, surgindo tardia, quando se pensava que já era hora de partir; e vem tão linda, tão enorme, cor de laranja, que encanta seus olhos e cala seu sono. Nela me vejo, mesmo distante. Pois se alguém soube lhe tocar tão leve, posso eu também te beijar a face. Um dia, quem sabe.
Escrito por Paula Biza às 01h05
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