OS VERSOS QUE TE DEI
Das estrelas que admirei, molhadas
por rios e rocios diferentes,
eu não escolhi senão a que eu amava
e desde então durmo com a noite.
Da onda, uma onda e outra onda,
verde mar, verde frio, ramo verde,
eu não escolhi senão uma só onda:
a onda indivisível de teu corpo.
Todas as gotas, todas as raízes,
todos os fios da luz vieram,
vieram-me ver tarde ou cedo.
Eu quis pra mim tua cabeleira.
E de todos os dons de minha pátria
só escolhi teu coração selvagem.
(...)
Teu beijo ainda enche minha boca
Que se converte em terra, em vento, em flor.
Não é o que vejo, nem o que dizes,
Só o fruto desse acaso infinito.
Escorre em mim a substância do teu grito.
Palavra que é sua e, assim, dedico
Não porque te amo, não porque não te amo,
Mas porque assim é a vida
E porque de outro modo eu não saberia.
Imaginei um mundo sem você.
Longo tempo, maior a paixão,
Desvelo de quem fica; consolo.
Morte de quem parte; silêncio.
Teu aroma é tudo o que faz arder.
As palavras da tua voz, os enigmas que conheço,
Completam o instante que permanece e quer fugir.
Aqui, alguém se revela quando você existe;
Porque és breve, te busco em todos os outros.
Sentidos.
Escrito por Paula Biza às 01h01
[]
[envie esta mensagem]

|