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comme d´habitude
 


POR QUE ELES NÃO ME DEIXAM DORMIR?

Eu deveria estar dormindo. Porque tudo tem sua hora, não é mesmo? Mas comigo não é assim. Faz exatamente quatro horas e vinte minutos que eu estou tentando recuperar o sono. Passei esse tempo todo querendo não pensar em nada. E tudo o que consegui foi pensar em tudo o que eu não pensei durante o domingo todo; durante a semana toda; durante os cinco últimos anos todos. E, claro, comer o último pedaço de pizza de atum que estava na geladeira. Com azeite.

 

Diferente do que acontece agora, quando acordei, às vinte pras duas da madrugada, tudo estava adoravelmente silencioso. Aproveitei o quanto pude aquele momento... Debaixo do meu melhor cobertor, fiquei apenas sentindo a maciez do meu travesseiro, com o rosto afundado nele. Foi quando lembrei que eu tinha ido dormir muito cedo, sem querer, sem ter lavado o rosto e sem ter passado meu creme noturno (pois é, pele boa é assim!). Isso me incomodava.

 

Eu também não tinha escovado os dentes. Eu estava exatamente do jeito que tinha chegado da rua (tirando as sandálias, obviamente): calça jeans, casaco de zíper, anel no dedo – e eu nunca consigo dormir com anel no dedo, ou coisa do tipo. Que eu me lembre, também tinha pego no sono usando meus novos óculos (que agora eu não tiro pra nada, apesar de não estar usando nesse momento – quando deveria). Mas, que eu me lembre também, minha mãe fez o favor de tirar meus óculos e deixar que a coberta aquecesse não só os meus pés. Sou uma filha de sorte.

 

Sei que meu estômago doía de fome. Ainda deitada, eu pensava que realmente não conseguiria voltar a dormir sem antes comer alguma coisa. Quis diluir essa idéia, porque eu não estava me vendo na cozinha, à procura de qualquer coisa que pudesse aliviar essa dor ... Fazer jejum ás vezes é bom, mentalizava. De nada adiantou. Às cinco da manhã, eu esperava a pizza ficar quente, em pé, de frente pro microondas. 

 

(...)

 

Nossa! Amanheceu! Como está claro! ... Agora há pouco estava completamente de noite! Juro! ... E eu mal disse ainda o que realmente queria dizer.

 

Acontece que, nesse tempo todo que passei acordada, ora no escuro do meu quarto, ora sob a luz branca da luminária, ora sobre o pedaço de pizza, ora sobre o meu diário... Pensei em muitos fatos e, especialmente, em muitas pessoas. Pensei em lugares também. Pensei em rimas, em músicas. E, como sempre acontece, pensei em mim. (...) Então, vamos logo aos pensamentos, oras!

 

A voz dele. Fiquei pensando: se ele é baixinho, usa sempre o mesmo sapato preto, nem é tão bonito assim, é apaixonado por outra mulher e torce pro Flamengo, por que raios eu iria gostar tanto dele?? ... Daí eu tive uma boa justificativa: só pode ser a voz! Claro! É uma voz de homem mesmo, sabe? E ainda vem com sotaque – coisa que eu adoro! ... E, não sei se é só comigo (úia!) ou se ele geralmente fala nesse tom, mas é uma voz mansa, serena, e que transmite muita segurança. É uma voz agradável, atraente... sedutora, por vezes. É uma voz que me dá saudade. E foi nesse ponto que pensei: mas eu não me contentaria só com a voz... Pronto! Admito: é saudade de tudo sim! ... Não sei bem o que fazer com relação a isso. Talvez eu não faça nada.

 

Depois, pensei também na energia dos espaços. Eu já dividi essa teoria com algumas pessoas, que não deram nem um pouco de atenção pra idéia, mas eu insisto: faz todo o sentido. E, dessa vez, é uma questão lógica, exata. Coisa que assusta até. Mas esse tópico merece um texto inteiro. Fica pra próxima. Vale dizer apenas que são dois quarteirões pra lá, dois pra cá. Não, não vou explicar nada agora.

 

Esse texto ficou uma miscelânea non-sense de idéias inacabadas, confusas e complexas. Mas tudo bem... expressa mesmo como eu estou me sentindo agora, completamente sem sono, às seis e trinta e três da madrugada (que sol é esse???!!!!). Ahhhh!!!!



Escrito por Paula Biza às 06h00
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