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comme d´habitude
 


PARTIDA SEM ADEUS

Muitos dias se passaram sem que eu pudesse aqui escrever. Foram problemas de toda ordem: técnicos, físicos, psicológicos, sentimentais, ocasionais, irremediáveis... mas todos efêmeros, acredito. Por isso, cá estou. É verdade que, outro dia, comecei um texto e larguei pela metade. A verdade é que ando muito assim com tudo. Aliás, tenho a impressão de sempre ter sido assim com tudo. Aí, me pergunto: qual é o certo? ... Aí, me respondo: o certo é viver.

E ele viveu, esse grande homem e amigo. Eu poderia hesitar em dizer dessa forma, mas não houve quem o conhecesse e não sentisse a liberdade de assim chamá-lo. Amigo de todos, com todos, para todos. É assim que sempre o vi, embora nunca tivesse expressado.

Não sei quando foi a primeira vez que nos encontramos, mas ... recordo agora que sua feição, inicialmente, lhe conferia um ar de seriedade e frieza - facilmente desmascarado à primeira conversa. "O mais simpático da casa", intitulávamos eu e minhas amigas. Afinal, até conquistar toda a família, tivemos que aprender a conviver com aquele jeito rabugento que caracteriza todos - menos ele. Impossível lembrar uma só vez que o tivesse visto de cara amarrada, falando de forma grosseira, nervosa ou arrogante. Não, isso não existia nele.

Sei que, em pouco tempo, desenvolvi um carinho muito particular por ele. Era como um tio, um pai, um primo mais velho. Sua doçura e gentileza começaram a me cativar pelo telefone. Fiquei surpresa quando liguei para pedir uma pizza e fui tratada pelo nome, sem nem mesmo dizer quem eu era. Ok, o sistema de atendimento da pizzaria reconhecia o número da minha casa... Mas poderia ser minha mãe ligando, oras. Ele nunca confundia! "Fala, Paulinha", dizia com seu jeito alegre e brincalhão. Minha pizza de atum ficava ainda mais deliciosa.

(...)

É realmente muito triste não tê-lo mais aqui. Logo que soube da sua partida definitiva, veio na minha cabeça aquela sua facilidade de me abraçar... Aquele jeito despretencioso de ficar acariciando minha mão enquanto conversávamos. Aquela sua ânsia por proporcionar felicidade. Aquele seu prazer por dividir e multiplicar a sua alegria de estar aqui. ... Difícil mesmo acreditar que não mais nos encontraremos.

Penso na sua família... Filhas, filho, esposa, mãe, irmãs, cunhados, genros, noras, sobrinhos... Apenas torço para que mantenham-se unidos e que saibam, de alguma forma, superar essa dor. Estarei sempre com vocês... com todo o coração.  



Escrito por Paula Biza às 14h41
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