BUSCA NAS CINZAS
Encontrar o que não se procura. Perder o que não se tem. Pelas ruas, dentro das casas, nos cantos mais vãos. Goles de alegria tentam engolir a tristeza. Beijos calam a boca de desconhecidos. Fantasias cobrem tudo o que não se é.
Uma presença, uma luz... seguimos bem. Outra vez a partida. Outra vez o regresso. Aqui não se ganha. Aqui não se perde. Apenas seguem-se as regras. Mas eu não quero jogar. Não jogo. Pela noite, não pude apenas olhar; insisti, então. Não pude apenas querer; assim, veio a fixação. Talvez por pouco tempo; certamente, penso.
Pra longe andamos. O vento nos encantou, é verdade. Pisar na areia morna e macia fez-nos sorrir mais uma vez. Sim, era possível ter prazer. Deixamos tudo pelo chão. Era preciso largar o tempo, soltar o corpo, deixar a carne. No horizonte, vimos a resposta – embora não houvesse pergunta. Repartir. Re-partir. Partimos.
Eu já não era a mesma. Ele talvez tenha sentido o mesmo. Não sei. Sagitariano, homem de mistérios; de festas; de sabedoria. Desta vez, porém, quem ensinou fui eu. Não queríamos o melhor caminho. Queríamos o melhor passeio. Não queríamos o suor da força. Queríamos o calor da conquista. Ou não queríamos nada – o melhor jeito de se ter tudo.
...
Três pequenos garotos sorriram olhando pra mim. Um deles, de cabelo, pele e olhos muito claros jogou pro alto sua serpentina. Vestia uma graciosa fantasia de pirata. Seu rosto rosado ficou em meu pensamento por todo o caminho. O som da sua risada, o brilho do seus olhinhos. Imagens que a gente não esquece. Simplesmente porque não fazemos questão de lembrar.
Escrito por Paula Biza às 00h34
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