FELICIDADE SEM POR QUÊ
Às vezes, me pergunto por que é mais fácil escrever sobre o que angustia e entristece do que abrir o jogo sobre o que enche de alegria, entorpece de tanta felicidade. E essa questão eu ainda não consegui responder. E também não quero fazer disso tema do meu texto de hoje. O que quero é falar sobre o estado em que me encontro, como e por que me sinto assim: tão feliz.
Sou eu. É a minha vida. São as pessoas que dela fazem parte. As que me acompanham há mais tempo, as que estão chegando agora. As que estão apenas de passagem, as que permanecem e, eu sei, permanecerão. Adoro todas elas. Cada uma a sua maneira.
Taí uma das melhores coisas da vida: o conhecer pessoas, o conviver, o relacionar-se. Pode existir universo mais fascinante que uma pessoa querida? Que um desconhecido que apresenta-se trazendo um sorriso? Que um tanto de outros desconhecidos (seus) que, visivelmente, adoram-se entre si? ... Não creio.
É curioso o caminho a ser percorrido durante a transformação que faz de um transeunte qualquer um alguém pra lá de especial, marcando a vida daquele de quem se aproximou. Como começa uma grande amizade? Que ponto determina o exato momento em que deixamos de considerar alguém como mero conhecido para passar a vê-lo como grande amigo? Que fato seria esse, capaz de elevar alguém nessa tal escala que envolve afeição, confiança, amizade, carinho e, muitas vezes, até amor? Perguntas para as quais eu também (ainda) não tenho respostas. E que ocuparam minha cabeça nesses últimos dias.
Eu sorria sem motivo, quando ouvi uma canção. Toda ela pareceu esclarecer com uma simplicidade incrível o que antes estava tão nebuloso. “O que importa é ouvir a voz que vem do coração”, dizia Elis no rádio da sala. Portanto, não importa quando, onde, como, por quê. São histórias que começam, antes de mais nada, dentro da gente e que, por uma felicidade da vida, a gente deixa rolar, dá corda, segue em frente. E acaba se entregando pra esse antigo desconhecido, atual amigo, futuro tudo e qualquer coisa que a gente quiser.
E se abre, se mostra por inteiro. E ouve todas as histórias, e se emociona também, e briga, e se entende de novo. E chora, e ri, e segue, e volta. E, quando a gente pára e olha... Ali está um tesouro. Mais um presente. E a gente olha nos olhos e já não dá sentido pras palavras. Afinal, tudo se entende, mesmo sem tudo saber.
Aí a gente só agradece pelo acaso, que muitas vezes se confunde com destino... e talvez o seja mesmo. Mas agradece também pela nossa coragem, nossa iniciativa. Foram elas que deixaram entrar esse estranho em nossas vidas, sem nada questionar. Porque o que importa... ah, isso todo mundo já cantou.
Escrito por Paula Biza às 01h43
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