Crise de biquíni
Má, (Jack e Fê),
Só agora é que vi esse seu e-mail... então, peço desculpas por ter ligado tanto e ter insistido tanto também. Mas... você sabe... nós adoramos você, e a sua companhia realmente faz a diferença. Por isso, talvez, seja tão difícil pra gente aceitar que "simplesmente" porque você não gosta de usar biquíni e ir a praia e tal, você deixe de fazer uma super viagem com a gente, passando por momentos que só uma verdadeira turma de amigos (e amigas, claro!) pode proporcionar.
Claro, respeito muito a sua postura de querer decidir sozinha sobre isso, mas não posso deixar de dizer que eu REALMENTE quero tê-la conosco nessa viagem e que, sem você, a alegria não será completa.
Bem, espero de verdade que você consiga resolver esse seu "conflito", digamos assim. E, saiba: todas nós temos nóias, complexos, manias, medos, pudores... Sim, todas nós temos dificuldades para aceitar certas coisas em nós mesmas. Mas acredito que fica mais fácil superar tudo isso quando a gente pensa nessa nossa juventude... um período tão gostoso da vida, mas que passa voando... É incrível! ...
E, quando a gente se vê de pijamas e meia, sentadas numa velha e confortável poltrona... com aquela garoa chata caindo lá fora... e se dá conta de que é sábado à noite e o telefone não tocou nem vai tocar... acho que é nesse momento que a gente vai pensar: por que eu não aproveitei mais a minha juventude, e os amigos, as viagens e todas as outras coisas maravilhosas que ela insistiu em me proporcionar??? ... Realmente, eu tenho medo desse dia. Por isso, eu não sei recusar o convite de um amigo... taí!
Viva, minha amiga!!! A gente nunca sabe das oportunidades que virão e as que não virão amanhã.
Grande beijo a todas,
com muito carinho,
Paulinha, a emotiva
Escrito por Paula Biza às 08h45
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"E se não tivesse o amor?"
Um brinde que por pouco não se apagava da minha memória. Sentada à mesa, observei meu pai servindo suco de uva para minha mãe. A jarra de vidro, o copo de vidro. Os braços esticados, como quem o estende para brindar. Foi aí que a cena me veio à cabeça. Sim, nós brindamos por iniciativa dele. E não éramos só nós dois, haviam outros. Estávamos em festa, alegres, sorridentes. Brindamos à vida, aos amigos, às mesmas festas que tanto nos uniam – embora nada disséssemos naquele momento.
É exatamente assim que ele me vem. Uma ode à felicidade, o louvar à alegria, o festejar de um encontro; o nosso encontro. E, nesses instantes, me bate o que eu chamo de tristeza. O que, para outros, pode não ser bem isso. Mas, para mim, o é. Para mim, a tristeza é parceira da alegria. Não tem jeito: estão sempre juntas. Pode não ser no mesmo espaço de tempo, mas estão sempre lado a lado, apenas alternando os períodos. Penso até que uma complemente a outra, não deixando que uma exagere na dose ou que aquela fique esquecida por muito tempo.
Por isso, para mim, é impossível amar, apaixonar-se, ficar boba de tanta felicidade sem que, depois, me pegue reflexiva, angustiada, quieta... triste, enfim. Dessa tristeza é que vem a lucidez; é ela que me traz de volta pro chão. E cá estou. Atenta. Pés fincados na terra. Os sentidos alertas para o mundo. E o coração... ah, esse está escancarado, esse tolo. Deixa chegar, deixa entrar sempre que vê outro coração bonito; outro coração feliz; coração forte, que se deixa destruir ao primeiro sorriso sincero. E segue assim, apaixonado por todo novo olhar.
Escrito por Paula Biza às 00h48
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Versos recuperados
Eu e essa minha mania de escrever. Pensamentos que vêm sabe lá Deus de onde, rimas tolas, declarações jamais pronunciadas. Sim, é como um impulso. Um tique adquirido ainda nos anos ginasiais. E, assim, vira-e-mexe, ali estou eu diante de improváveis palavras escritas nalgum inesperado momento de aflição muda.
“Existiria amor
No coração daquele
Que sofreu demais
Que não feriu a flor
Que não olhou pra traz
Existiria quem não sofreu
Bastante ou pouco
Amor demais.”
Um pedaço de papel branco, mais ou menos 5 x 3 cm, dentro da minha carteira, entre os cartões pessoais que nela guardo. No verso dele, frases entrecortadas como “onna Hinark”, “icana – DF”, “eles” ... E eu realmente não faço a menor idéia de quando, onde e, decididamente, o por quê dessa tentativa lírica. Imagino que deve ter sido alguma circunstância desesperadora, dessas que se pensa: “Ou escrevo agora ou jamais me perdoarei por não ter exteriorizado tal pensamento...” Só não sei que lugar é esse onde não há por perto uma folha em branco sequer.
...
A verdade é que não gosto de papéis destinados exclusivamente aos versos, nessas horas. O bom mesmo é derramar-se em talões de cheque, alterar recibos com palavras impertinentes, desfigurar jornais com idéias momentâneas. Sim, esse é o grande lance! ... Depois, claro, o negócio é perder todas as ricas rimas e os apaixonados versos, que acabam calados em gavetas, esquecidos em pilhas de papel ou completamente mortos em montanhas de lixo. Por sorte, a eventualidade acaba recuperando um ou outro nas bolsas, cadernos e armários da vida.
Escrito por Paula Biza às 19h13
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Era cedo... e ficou tarde.
Primeiro, eu me recolhi.
Apesar de arder com a força do teu olhar, escolhi permanecer exatamente onde eu estava. Faltou coragem. Sobrou pudor. Talvez, naquele dia, eu tivesse vivido um verdadeiro escândalo. Sim, talvez ficássemos apenas nos admirando com as mãos, deixando-nos encantar um pouco mais para, então, sermos violentamente vistos por ela.
Socos na porta verde-bandeira; a campainha a tocar incessante e irritantemente. E nós, com o sossego roubado, olhando atônitos um para o outro. Eu certamente tentaria me esconder em algum canto... Mas não faria nenhum movimento suficientemente esperto sem que antes ela entrasse no cômodo e pulasse em meu pescoço. Sim, eu era a mesma menina que havia tirado sua calma há exatos dois meses. Ela não poderia acreditar no que via. E eu no que vivia.
Você tentaria acalmá-la, eu sei. Seguraria seus braços com força, a ponto de machucá-la, deixando feios hematomas em sua pele parda. Eu, novamente com aquela fantasia, só teria sentido vontade de sumir, nada mais. Ainda assim, permaneceria no lugar, sem nada dizer, sem nada fazer.
Finda a gritaria, você pediria para que uma de nós fosse embora. Não que nos desse a chance de escolher... não. É que eu apenas não consigo adivinhar quem você preferiria que ficasse naquela hora. Talvez, fosse ela mesmo. Sim, é a ela que você deve explicações, não a mim. Para mim, suas explicações foram parcas. Inconsistentes, embora objetivas.
Mas... nenhuma confusão foi armada. Eu perdi essa chance. Talvez, fazendo parte de uma cena dessas, eu poderia ter marcado muito mais a sua vida... E, de alguma forma, você estaria muito mais presente em mim; e eu em ti.
Escrito por Paula Biza às 01h01
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